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Envidraçar varanda exige cuidados

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É difícil, atualmente, visitar um estande imobiliário de vendas e não dar de cara com a réplica de um apartamento decorado, na qual há uma bela varanda integrada à sala de estar, com piso nivelado à área interna, móveis planejados e sacada envidraçada.

 

A tendência não é puramente estética, mas tem a ver com o melhor aproveitamento da área útil do imóvel. “Os apartamentos estão cada dia menores e as varandas cada vez maiores. As pessoas já compram a unidade levando em conta esse espaço”, diz a gerente de atendimento da Mario Dal Maso Administradora, Alessandra Muniz.

 

Além de contribuir para aumentar a área, o vidro na varanda atenua barulhos da rua e barra poluição, ventos e chuva. O modelo de envidraçamento mais utilizado é o 100% retrátil, com folhas de vidro que deslizam em trilhos e se amontoam nas laterais, possibilitando que o espaço fique totalmente aberto.

 

O envidraçamento, no entanto, pode trazer perigo aos condôminos se o serviço não for bem executado. O diretor da Manager Gestão Condominial, Marcelo Mahtuk, lembra a vez em que um vidro caiu do alto de um prédio e atingiu um carro que estava estacionado. “Vemos casos de placa de vidro que cai em piscina, em cima de carro, em áreas comuns. É um risco enorme”, comenta o arquiteto e coordenador da equipe que escreveu a norma NBR 16.259, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Rodrigo Belarmino. A diretriz regulamenta os procedimentos necessários para o envidraçamento de varandas.

 

 

O caso da dentista Marta Lazzarini,  que mora em um condomínio em Santa Cecília (na capital paulista), ilustra bem esse tipo de situação. Seu imóvel, localizado no primeiro andar, é o único do prédio com uma área estendida, transformada em varanda depois que a moradora entrou em acordo com a administração para fechar a local com vidro no teto e nas laterais do espaço.

 

No entanto, em duas ocasiões, placas de vidro de varandas de unidades de andares superiores se soltaram e caíram no espaço de Marta. “Todos os problemas que tive foram causados por terceiros. Não adianta economizar e contratar uma empresa qualquer”, diz a dentista, que desembolsou R$ 40 mil para envidraçar a área.

 

A Apoio Manutenção de Sacadas, empresa de assistência técnica, lista os problemas vistos com mais frequência: má vedação entre as lâminas, vidros descolados, mal fixados ou trincados e roldanas quebradas.

 

A historiadora Agatha Antunes tem um problema do mesmo tipo no apartamento onde vive, em Santa Cecília. O envidraçamento deixou vãos nos cantos da varanda e a água entra cada vez que há temporal. “Acaba molhando e manchando o tapete e as cortinas. Por conta disso, temos de mandar lavá-los com frequência, o que aumenta nossos custos.”

 

 

De acordo com Belarmino, as recomendações da ABNT não são seguidas, ocasionando esse tipo de situação. “A maioria dos fornecedores não faz os projetos de acordo com a norma. É uma luta no mercado, pois as empresas não levam a sério.”

 

Na instalação de vidros na varanda, os condomínios costumam exigir que as contratadas forneçam uma anotação de responsabilidade técnica (ART) assinada por um engenheiro. De acordo com Belarmino, isso não é suficiente. “O que recomendamos é que os projetos de envidraçamento já sejam elaborados seguindo as normas. Isso deve estar previsto em ata”, afirma. Além disso, ele aponta que as administradoras poderiam fazer um trabalho melhor de fiscalização do serviço, autorizando a entrar no prédio apenas empresas que seguem a norma.

 

Assembleia deve padronizar procedimento para envidraçar sacadas

 

De acordo com Omar Anauate, diretor de condomínio da Aabic, o fechamento de sacada é comum nos empreendimentos novos. “É colocado em pauta na primeira ou segunda assembleia, quando os compradores começam a reformar as unidades.” A aprovação é feita, geralmente, pela maioria dos presentes na reunião – não é necessário quórum mínimo – e costuma ocorrer sem grandes problemas.

 

Durante a assembleia, também é definido um projeto de envidraçamento, feito por empresa especializada a pedido da administradora ou síndico. Cor e espessura do vidro, cor e material do caixilho (peça na qual se encaixam as janelas), quantidade de folhas de vidro e material, modelo e cor das persianas são alguns dos itens padronizados. Todos os moradores devem seguir as orientações estipuladas no projeto, para que não haja alteração de fachada. A empresa que prestará o serviço, no entanto, é de escolha de cada condômino.

 

 

Problemas e cuidados extras na situação do fechamento da sacada:

 

a)      Via de regra, essa ação é ilegal perante o órgão público, pois, com o fechamento, ocorre um aumento de área não aprovado pela Prefeitura no Projeto Arquitetônico Original (Legal);

 

b)      O fechamento da sacada torna o ambiente, geralmente sala/dormitório, mais quente, pois a insolação ocorre na esquadria e o efeito "sombra" da sacada aberta não se faz possível;

 

c)      Em dias de chuva, mantendo os vidros totalmente fechados, não há ventilação no respectivo ambiente;

 

d)      A esquadria é fixada no substrato (fundo, laterais e topo) diretamente na estrutura (ou alvenaria) sem a utilização de contra marcos, o que pode ocasionar futuras infiltrações;

 

e)      Necessidade de verificar a capacidade da sacada para suportar a carga estrutural da esquadria (peso e efeito do vento);

 

f)       Necessidade de analisar o futuro uso deste ambiente fechado e o acréscimo de cargas (mobília e adornos) na sacada, necessitando uma verificação estrutural da mesma.

 

Fonte: economia.estadao.com.br e parte final (Problemas...) de autoria da Verum

 

 

 

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