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Após desabamento, cresce procura por empresas que fazem vistorias

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A tragédia do Edifício Andrea, que desabou no último dia 15 deixando nove mortos e sete feridos, aqueceu a preocupação com outros prédios de Fortaleza. A demanda por avaliações de possíveis problemas, a inspeção predial, mais do que dobrou em algumas empresas que prestam este tipo de serviço. No entanto, muitas vezes, após a emissão do laudo, os reparos indicados não são realizados pelos proprietários.

 

Fábio Fihr, proprietário da Fihr Engenharia, pontua que muitos clientes realizam a inspeção, mas não executam o que está previsto no laudo. “Muitas vezes, a saúde financeira do condomínio é precária. Há uma dificuldade de arcar com contas do dia a dia por causa da inadimplência e até mesmo má gestão, o que impossibilita a criação de um fundo de reserva para arcar com essas despesas”, ressalta.

 

O vice-presidente de condomínios do Sindicato Das Empresas De Compra, Venda, Locação E Administração De Imóveis Do Ceará (Secovi-CE), Wilson Braga, revela que a inadimplência média dos condôminos chega à casa dos 10%. “As convenções obrigam os condomínios a destinarem uma parte da arrecadação ao fundo de reserva, que normalmente é de 5%. Mas esse fundo muitas vezes é usado para a inadimplência”, explica.“Quando se fala em cota extra, o povo já começa a se negar a fazer a prevenção, uma coisa que é óbvio que tem que fazer”, alerta. “Quando acontece uma tragédia, o povo passa a ter esse cuidado. Já se olha com outros olhos. Ela é necessária, é gritante a necessidade para isso”, diz Braga.

 

A sócia-diretora da Arqfor Arquitetura e Consultoria, Isabella Cantal, compara a inspeção predial a um check-up de rotina. “É como se a gente fosse fazer uma bateria de exames para saber se está tudo bem. É tão importante quanto para a saúde do prédio”, alerta. Ela ainda acrescenta que também ocorre dos clientes realizarem apenas a inspeção, mas não realizarem o que está indicado no laudo.

 

“Não adianta. É como o médico diagnosticar que você precisa de uma ponte de safena e você pegar aquele exame, ir para casa e não fazer nada. A inspeção é o início da prevenção, mas é só a ponta do iceberg”, dispara Isabella.

 

A sócia-diretora da Arqfor ressalta que os valores da inspeção predial não são absurdos. “Existem vários fatores que influenciam no valor da inspeção. As obras de reparação, de fato, é que podem pesar um pouco mais, dependendo do que for constatado”, esclarece.

 

Entre as principais variáveis, ela aponta o número de blocos do condomínio, o número de pavimentos, a quantidade de apartamentos, a idade do imóvel, a diversidade da área de lazer e o estado da edificação. “De qualquer forma, os condomínios precisam fazer essa reparação. E eles têm como se programar, porque indicamos no laudo quais as ações mais prioritárias e quais podem esperar um pouco mais, possibilitando essa organização”, detalha Isabella.

 

Ela alerta, no entanto, para o valor não ser o fator decisivo na hora de escolher qual o profissional ou empresa a realizar a inspeção. “É preciso que as pessoas parem de tratar isso de uma forma leviana. Não dá para contratar profissionais que você não sabe de onde saíram. É necessário pesquisar o histórico dele, saber se tem experiência, se tem referência”.

 

Fonte: G1.globo.com

 

 

 

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