Prepare seu condomínio para as chuvas

Todo ano, muitas cidades brasileiras padecem com problemas de enchentes, desabamentos, queda de árvores e raios que comprometem a rede de energia elétrica e internet. Sem falar nos acidentes com vítimas.

Nos condomínios, a situação não é tão diferente. Muitos deles, por falta de cuidado e manutenção, enfrentam problemas nesses dias. Mas praticamente todos esses problemas podem ser evitados, desde que haja cuidado e sejam realizadas as manutenções preventivas periódicas.

Confira o checklist de itens que precisam ser checados para épocas de chuva:

-Limpar todos os ralos, grelhas, calhas nos subsolos, térreo e barrilete (topo do prédio).

-Verificar todos os toldos, coberturas, telhados, luz piloto, (no topo do prédio), antenas.

-Verificar a saúde das árvores, arbustos e solicitar na prefeitura as devidas podas. (Se suspeitar de risco de queda, acionar a secretaria do meio ambiente - prefeitura).

-Verificar se nas áreas comuns está afixado a placa de alerta conforme a NBR 5419/2015: “Não circular pelas áreas externas do edifício em caso de tempestade”.

-Fazer a revisão geral mensal do gerador com troca de óleo, filtros e limpeza do tanque de combustível, após abastecer.

-Testar e verificar todo o sistema de iluminação de emergência, com revisão de lâmpadas e, em caso de baterias, se estas estão com vida útil adequada, caso contrário providenciar a troca.

-Revisar todos os quadros de elétrica.

-Conferir as bombas que fazem a retirada de água do prédio, as bombas de poços.

-Fazer a limpeza do poço do elevador, revisando se não há infiltração ou água empoçada (ideal que tenham backup para emergência).

-Verificar se todo o encanamento de água está identificado para ação rápida, em caso de necessidade de fechamento imediato.

-Revisar o sistema de segurança abastecido pelo gerador, em caso de falta de energia.

-Revisar os portões, verificar se o sistema elétrico/eletrônico está protegido das chuvas e aterrado, além de estar sendo alimentado pelo gerador em caso de falta de energia.

-Limpar a tubulação de água de chuva e esgoto, caixas de esgoto no térreo e drenos nos jardins, fazendo com que fiquem livres e evitando problemas nos apartamentos mais baixos ou na área comum do prédio.

-Verificar o topo do prédio, garagens e térreo, evitando vazamentos ou infiltrações.

No caso de portaria virtual/remota, o síndico deve fazer uma reunião com a empresa para criar o procedimento de emergência para possíveis problemas de comunicação, como duplicar a forma de comunicar acesso em caso de falta de energia.

As instalações elétricas exigem cautela

O Brasil é o país que mais sofre com a incidência de raios no mundo. Caem cerca de 70 milhões por ano, chegando a atingir 300 pessoas — sendo que cerca de 100 vitimas são fatais.

“O Sindico tem autonomia para investir neste tipo de manutenção, sem que seja aprovado em assembleia. Ele deve sempre exigir das empresas de manutenção, laudo e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)”, explica Tobias.

Importante saber que a ART é um instrumento que identifica a responsabilidade técnica pelas obras ou serviços prestados e assegura que foram realizadas por um profissional habilitado pelo respectivo Conselho (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

PONTOS DE ATENÇÃO

Nos quadros de energia elétrica, é importante verificar a correta de instalação dos fios terra e neutro. “É desejável que nos quadros tenham os dispositivos protetores de surto (DPS) para protegerem os equipamentos em caso de raios”, recomenda Savieto.

Os para-raios precisam estar em perfeita ordem. O engenheiro Zeferino Velloso orienta a verificação por meio da medição ôhmica para garantir o funcionamento das descidas (que devem ser conforme quantidade prevista em projeto).

“Verifique se as antenas estão conectadas — assim como quaisquer elementos metálicos na cobertura — ao sistema de aterramento do edifício”, reforça o engenheiro Velloso.

Ao executarem as instalações, as operadoras de TV a cabo devem fazer o aterramento de todo sistema e conectar ao sistema de para-raios. “As antenas coletivas não podem ser mais altas que os para-raios”, acrescenta Tobias.

Condomínios sem gerador precisam de cuidados extras

Muitos condomínios não contam com grupo gerador. Nesses casos, uma medida preventiva interessante é que o síndico ou a administradora conversem com o zelador e os funcionários para que eles saibam como agir em caso de queda de energia.

“Para citar um exemplo, se o prédio estiver sem luz, o zelador ou um funcionário vai precisar abrir e fechar manualmente as portas e portões. Ele vai ter que fazer uma série de operações, também manualmente no elevador”, afirma Nilton Savieto.

Outro ponto crítico em condomínios sem gerador diz respeito às bombas. Com as chuvas e sem energia elétrica, as fossas dentro do prédio poderão encher e a água não vai sair. Aí pode virar um problema sério. Idem para o sistema de recalque de água de consumo.

“O zelador terá que ficar atento. Se isso acontecer, vai precisar de uma bomba movida à gasolina, uma mangueira, e operar manualmente, o que é complicado”, observa o síndico profissional.

CONDOMÍNIOS SEM GERADOR PRECISAM DE:

Um bom sistema de iluminação de emergência. Os bombeiros pedem autonomia de, pelo menos, 50 minutos, mas já existem no mercado baterias de 3 horas. Também pode optar pelo sistema autônomo de emergência com autonomia de 50 minutos. Estes sistemas precisam iluminar os acessos, as escadas, a garagem e os portões. Essas áreas não podem ficar escuras nunca. “É importante realizar um teste prévio para verificar a capacidade de fornecimento de energia das baterias”, lembra o engenheiro.

Três jogos de lanternas na portaria. Isso é importante, mesmo com as lanternas de celular. E aí nos casos de não ter gerador, o elevador vai parar onde estiver. Eles precisam assegurar que não tenha ninguém no elevador. Elas funcionarão para ir à garagem, verificar os elevadores, subir nos andares e circular em outros locais do condomínio.

Bateria extra ou no-break para o interfone. É importante verificar se está em pleno funcionamento para que funcione bem, mesmo sem energia elétrica.

Faça mapeamento das áreas de alagamento

INTERNO: Mapeie pontos de alagamento em lajes, pois podem orientar no remanejamento futuro de ralos.

EXTERNO: Conhecer alagamento de vias públicas no entorno pode auxiliá-lo a acionar o poder público, se necessário, ou a tomar medidas preventivas para evitar a entrada de águas no subsolo, por exemplo.

"Para evitar entupimento, uma medida eficaz é limpar as lajes impermeabilizadas ou telhas e calhas. Conforme o caso, remover previamente a poeira de cimento, protegendo os ralos durante a limpeza, para impedir que ocorram entupimentos", indica Velloso.

Se notar entupimentos ou demora no escoamento da água nos condutores, uma limpeza com desentupimento é recomendável. “Aliás, fazer isso anualmente é bastante salutar”, recomenda.

Atenção aos acidentes causados pelos vendavais

Ventos muito fortes são capazes de causar estragos na fachada e no entorno do condomínio. E, principalmente, podem ocasionar acidentes graves se algo atingir uma pessoa.

Por isso, durante a preparação do condomínio para as chuvas, todos os objetos e as partes que possam se soltar e voar com um vendaval devem ser verificadas e devidamente afixadas. Ou ainda, se for o caso, removidas para evitar que atinjam alguém ou algo, como uma porta de vidro, por exemplo. Se precisar, oriente os condôminos. Atente para:

Antenas

Para-raios

Pastilhas da fachada

Janelas

Vasos

Grades

Toldos

Telhados

Muros

Ferramentas

Latas

Lixeiras

Cadeiras

Vassouras e materiais de limpeza

O que fazer quando houver queda de energia

Alguns procedimentos precisam ser realizados, assim que ocorrer a queda de energia. O zelador deve estar junto com o pessoal da portaria, de preferência, para tomar as primeiras ações.

COM GERADOR:

Verificar se o gerador foi acionado devidamente, e se todos os equipamentos que ele atende estão funcionando.

Conferir se, no momento de transição entre a queda da energia e acionamento do gerador, o elevador não travou e ficou alguém preso na cabina.

Ligar para a Concessionária e avisar sobre a situação.

SEM GERADOR:

Verificar se sistema de iluminação de emergência está funcionando, caso não tenha gerador.

O zelador ou outro funcionário precisará abrir e fechar manualmente os portões.

Conferir se não há alguém preso no elevador. Se houver alguém, solicitar o resgate com técnico da empresa responsável.

Ligar para a Concessionária e avisar sobre a situação.

Medidas para os dias de chuva forte

Não permitir uso de quadras, playgrounds ou piscina. Melhor bloquear o acesso à área comum, especialmente de crianças.

No caso específico do playground, é importante deixar a manutenção em dia para evitar problemas como peças soltas e o perigo de atingirem alguém. Saiba mais sobre manutenção de playgrounds.

Em casos de tempestades mais sérias, solicitar aos condôminos que desliguem aparelhos eletroeletrônicos das tomadas e, se o condomínio não tiver gerador, evitarem o uso do elevador.

Telefones e informações para ter à mão na portaria

Deixe na portaria o telefone de cada empresa de manutenção, pois se algo acontecer o porteiro ou o zelador terá acesso rapidamente. Veja a lista básica:

Cadastro e telefone da empresa que faz abastecimento e manutenção do gerador;

Telefones de emergência dos responsáveis pelas empresas de portaria remota/virtual;

Em caso de terceirização, o contato dos responsáveis pela contratação;

Telefones de todos fornecedores, (portões, gerador, elevador, empresa de desentupimento, abastecimento do gerador, bombas, encanador);

Telefones das concessionárias de Luz e Água, Bombeiros, PM, etc.

Telefones da administradora, do zelador e do síndico para contato rápido e acompanhamento dos chamados, além dos procedimentos internos que vão desde a interdição de elevador até plantão em caso de problemas não previstos.

Telefone da seguradora.

Fonte: Sindico.Net

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